sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Parceiros com Deus

Precisamente nos dias atuais, quando vemos uma fé mercadológica tomar tanto espaço no nosso meio, se torna tão importante procurar entender uma forma de nos relacionarmos com Deus sem buscar fazer trocas ou barganhas. A relação entre Deus e seu povo é uma relação de parceria, uma vida em comum, uma estrada de duas vias, onde ambas as partes têm papéis e compromissos.
Deus nos cuida, e nós assumimos com Ele, em submissão, o pacto de aceitá-lo como único Deus e levar outros a este entendimento. Em Mateus,28, vemos, nos Vs. 18 a 20: “E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. “ Com isso, podemos pensar algumas coisas que passo a refletir.

Primeiro: Dois aspectos importantes que repito sempre_ Jesus é o verbo. “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. JOÃO 1. 1” E sendo Ele Deus, como nós cristãos acreditamos que se manifesta de forma TRINITÁRIA, é o responsável pela salvação. E que já no antigo testamento se comprometeu em salvar o povo através de seu filho.
O verbo Salvar(citação extraída do livro vocabulário bíblico de J. J. Von Allmen) e o substantivo salvação aparecem mais de 150 vezes no NT, correspondendo mais de 100 vezes ao verbo, ora no ativo, ora no passivo. Esta constatação liminar(que antecede) não carece de importância, pois para o NT não interessa tanto a idéia de salvação como o fato histórico do resgate “cumprido em Jesus Cristo e em breve manifestado”.
O segundo aspecto é que a esta autoridade de Jesus o Cristo(O SALVADOR) é um sistema em cadeia, e em escala de subordinação. Ele salva, e nós somos responsáveis em levar outros a conhecer esta salvação.


Segundo: Com isso, afirmo que Deus tem um compromisso de salvação mas espera de nós uma contrapartida, que não salva, mas reforça a aliança e mantém o pacto. “Em lugar da vossa vergonha, haveis de ter dupla honra; e em lugar de opróbrio exultareis na vossa porção; por isso na sua terra possuirão o dobro, e terão perpétua alegria. Pois eu, o Senhor, amo o juízo, aborreço o roubo e toda injustiça; fielmente lhes darei sua recompensa, e farei com eles um pacto eterno. E a sua posteridade será conhecida entre as nações, e os seus descendentes no meio dos povos; todos quantos os virem os reconhecerão como descendência bendita do Senhor. Regozijar-me-ei muito no Senhor, a minha alma se alegrará no meu Deus, porque me vestiu de vestes de salvação, cobriu-me com o manto de justiça, como noivo que se adorna com uma grinalda, e como noiva que se enfeita com as suas jóias. Porque, como a terra produz os seus renovos, e como o horto faz brotar o que nele se semeia, assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor perante todas as nações. Isaias 61.7,11)”Como em um casamento, uma parceria entre dois com papéis diferenciados, um supre e o outro colabora. Somos, pois,colaboradores com Deus.


Terceiro: Enquanto outras religiões percebem o ser como um indivíduo que pode alcançar um tipo de estatura espiritual por seus méritos, o cristianismo é uma revolução religiosa que prevê na comunhão uma forma vivencial, real e concreta da fé. “ Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou pão; e, havendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha. De modo que qualquer que comer do pão, ou beber do cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice. Porque quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor. Por causa disto há entre vós muitos fracos e enfermos, e muitos que dormem. Mas, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados; quando, porém, somos julgados pelo Senhor, somos corrigidos, para não sermos condenados com o mundo. Portanto, meus irmãos, quando vos ajuntais para comer, esperai uns pelos outros. Se algum tiver fome, coma em casa, a fim de que não vos reunais para condenação vossa. E as demais coisas eu as ordenarei quando for”.(1Co11.25,34).
Enfim, celebrar a comunhão é lembrar que Jesus se fez Deus, encarnou e habitou entre nós. E viveu em parceria, lado a lado conosco, comeu e bebeu, e nos deixou este memorial para orientar nossa prática vivencial comunitária, simbolizando que sem comunhão não existe relação real com Deus. Ou seja, Ele fez a sua parte e nos deixou sua missão de propagar seu amor, como forma de compromisso com Ele.
Concluindo, só pode existir uma relação verdadeira se for de parceria, e não de troca. Na troca, ambos ganham, mas ambos ficam sem algo, tudo tem um custo, algo é entregue e para tudo tem um preço. Esta relação por vezes tem um valor muito caro a ser pago, e isso é algo mercadológico. Porém, a fé não é assim, o preço da “Fé cristã” já foi totalmente pago, através de Jesus cristo. Na parceria, ambos são possuidores de algo que se torna um bem comum. E, por isso, penso que, nesta relação, torna-se necessário um empenho, um comprometimento mútuo; e crer é estar comprometido de tal forma que se saiba que isso é um caminho de mão dupla. Deus estará sempre lá. Basta aceitarmos tal compromisso, mas nós temos que estar disponíveis para o crer e o compartilhar.
Rev. Roberto Garcia

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